<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836</id><updated>2012-02-18T09:15:30.882-03:00</updated><title type='text'>GuAnTaNaMeRa</title><subtitle type='html'>Por Illenia Negrin</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>34</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-1987766648316439826</id><published>2010-05-11T19:15:00.002-03:00</published><updated>2010-05-11T19:35:13.258-03:00</updated><title type='text'>Oração dos humildes</title><content type='html'>De repente, a vida passou a ser contada em anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Motivos havia muitos para escrever. Não pude. Até o médico mandou que eu escrevesse. Não pude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras viraram uma sina, depois uma cisma, e então uma cobrança pesada demais para continuá-las amando. Elas eram tudo o que eu já não podia ser. Vaiodosa demais, procurava o aplauso e me esquecia do ofício. Não deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achava que as palavras eram minhas. E que as pessoas iam me amar se amassem as minhas palavras. Que vexame. Porque as palavras não têm dono. E eu as castiguei, amarrando as palavras ao pé da mesa, à sombra de um coração amargurado, a um par de pernas cambaleantes, aos olhos quase cegos, ao corpo inerte, aos sonhos asfixiados.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é um gesto de humildade, agora eu sei. É a oração dos humildes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-1987766648316439826?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/1987766648316439826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=1987766648316439826&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1987766648316439826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1987766648316439826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2010/05/oracao-dos-humildes.html' title='Oração dos humildes'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-84158937571892871</id><published>2009-04-29T23:34:00.003-03:00</published><updated>2009-04-29T23:38:47.308-03:00</updated><title type='text'>Só as mães são felizes</title><content type='html'>“&lt;em&gt;Minha filha querida, seja bem-vinda. Não agüentei te esperar e fui dormir. Tem sopa de músculo na geladeira. Amanhã vamos passear. Beijos. Mamãe.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei esse bilhete em cima da mesa da cozinha, quando cheguei em Jundiaí, numa sexta-feira. Tinha tido um dia horroroso, de mau humor severo, de choro contido que trava a boca e as pernas, e aumenta o apetite. Só pensava em chegar ali, onde o amor transborda. E comer a sopa, que eu imaginava estar na geladeira, mesmo não gostando de músculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe é do tipo que deixa bilhetes. Hoje, pensando nela, me dei conta de que minha mãe ama as palavras tanto quanto eu. E numa conclusão tardia e óbvia demais pra eu ter enxergado antes, entendi que esse foi o maior presente que ela me deu: o apreço pelas letrinhas juntadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fez faculdade. Outro dia ela me contou, às gargalhadas, que fez colegial técnico em secretariado porque o “normal” era difícil demais. Fico tentando imaginá-la aos 18 anos, na escola, figura carismática e engraçadíssima que é. Devia ser ansiosa demais para acompanhar as aulas. E devia achar que não era inteligente – uma grande bobagem na qual ela acredita até hoje. Mamãe é a única mãe que conheço que fez intercâmbio. Tem umas fotos dela lá em casa, na caixa em cima do guarda-roupa, com casacos de pele, no meio da neve de Nova Iorque. Já era linda nessa época, com cabelos pretos compridos e uns olhos verdes de holofote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com essas fotos, tem centenas de outras, e tem uns bilhetes também, escritos por mim e pelo meu irmão. Tem um livrinho que o Lucas pintou na escola, aos 5 anos, desses que os alunos fazem no dia das mães. Numa das páginas, sob o título “Mamãe, já sei desenhar você”, há um desenho simplesmente horroroso – a “mulher” dos rabiscos, que o Lucas jura se tratar da minha mãe, tem uma cabeça gigantesca e bigode. E mamãe, lógico, ama de um amor absoluto tudo isso. E, de coração, se reconhece. Assim como ama os meus rascunhos, os meus chiliques, e parte das minhas opiniões idiotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe é uma unanimidade entre os nossos amigos, entre os amigos dela, entre os sobrinhos, entre todo mundo. É sucesso nos lugares, na aula de pintura, na hidroginástica, até no supermercado perto de casa . Ela compra presentes, lembrancinhas, e distribuiu com uma naturalidade assustadora. Exemplo: ela ficou amiga do seu Zequinha (????), o ajudante faz-tudo lá do supermercado, e comprou uma camisa pra ele, presente de aniversário. Ela vai viajar e traz coisas, pra muita gente, pra amigos meus, inclusive. E faz as pessoas se apaixonarem por ela, não pelos presentes, mas pelo olhar generoso, pela delicadeza escancarada e despretensiosa. Mamãe é demasiadamente humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, ao contrário do que minha arrogância infantil supunha, mamãe é bem feliz com vida que tem, sem os rótulos de uma “carreira profissional” ou algo parecido. Talvez isso seja o mais comovente nela, a honestidade e a simplicidade com que encara o mundo. E é por isso, sem títulos ou diplomas, que ela ama as palavras e as histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma delas é minha preferida. Mamãe conta – com os olhos marejados – que planejou ter uma filha com meu pai ainda nos tempos de namoro. Eles queriam um casal de filhos, mas a menina tinha que nascer primeiro. Até o nome já estava escolhido – acho que desde as cartas que os dois trocavam durante a estadia de 6 meses de mamãe nos EUA. No início de agosto de 1980, num dia frio e bastante ensolarado, ela chegou no sobrado da rua Cajuru, me carregando nos braços. Estava sozinha, meu pai tinha ido trabalhar, acho. Éramos eu e ela. Mamãe me desembrulhou da manta, e me colocou em cima da cama de casal. Abriu a janela pro sol entrar e esquentar. Ajoelhou-se, começou a chorar. E rezou para que Deus a ensinasse a ser mãe e a cuidar bem de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo tudo isso no dia em que mamãe completa 54 anos. Mandei entregar flores pra ela bem cedinho, azaléias rosas, vistosas. Escrevi um bilhetinho também, como faço todos os anos. &lt;em&gt;“Mamãe, de todas as minhas partes, você é a mais importante. Te amo. Feliz Aniversário. Um beijo.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi assim porque não conheço outras palavras. Talvez eu aprenda novos termos quando for mãe também. Nesse dia, vou entender como se faz para amar como ela ama, de modo incondicional e irrestrito. Um amor de marejar as vistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-84158937571892871?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/84158937571892871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=84158937571892871&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/84158937571892871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/84158937571892871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2009/04/so-as-maes-sao-felizes.html' title='Só as mães são felizes'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-1737824529889143497</id><published>2009-01-13T22:30:00.006-03:00</published><updated>2009-01-14T10:04:03.739-03:00</updated><title type='text'>Esclerose</title><content type='html'>De tudo o que vi hoje, é o seu rosto que não me deixa dormir. Nem mentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E olha que vi coisas hoje. E menti coisas também, mas isso é mais difícil de admitir, porque eu nunca minto, sou pessoa idônea, sou do tipo que se orgulha de ser pobre e de pouca beleza, mas pessoa boa, sou de muita verdade, ah isso sou, até minha mentira é verdade, verdade que não posso carregar. É, eu minto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho acordado todos os dias esquecida de mim. Antes de abrir os olhos, já me doem as costas e a cabeça, tento não abrir os olhos, porque sei que quando isso acontece o dia não tem volta. Mas abro os olhos, fazer o quê, aprendi assim. Quem acorda precisa abrir os olhos, ou vai andar cochilando e pensando que despertou. Assim, sem saber como faz pra não olhar, levanto da cama com algum esforço. É uma cama de casal , sabe? Queria tanto mais espaço na cama, e no entanto tenho me encolhido num dos lados, quase me derrubo, não mereço a cama. Eu guardo lugar pra alguém que nem conheço, mas isso é outra dor, nem cabe aqui contar, a mãe de todas as dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, apartada de mim, o esquecimento me ocupa o dia todo. Todos os dias me levanto com a missão de lembrar quem sou. Passo as horas duvidando de tudo, não tenho amigos, nem família, nem talento, nem música preferida, nem amor. E quando me recordo deles, dos amores e desamores, chego a chorar de saudade, onde estavam, me ajuda, não vão embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã cedo nem vou me lembrar de você, nem do seu rosto que não me deixa dormir. Por isso, tenho pressa. Preciso escrever tudo, contar tudo, tirar de mim o que sobrou do dia, o que sobreviveu ao cansaço de tentar recordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você também estava cansada hoje. Reclamou. O cansaço te deixa culpada, a vida berra em cada canto, mas você tem sono, moleza, preguiça, quer deitar, não consegue ir adiante. Você chora e se desculpa, acha que incomoda, que estraga o almoço com sua cara de merda, uma merda que não dá pra disfarçar, desculpa gente. Estou comovida, como é difícil cambalear, as pernas traem, eu bem sei. Vai pra casa, descansa, damos um jeito. É só um dia ruim, insisto, rezo, Deus, que isso não se repita amanhã, mas amanhã não existe, amanhã vai ser hoje de novo e vou ter de aprender tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando que gostaria de te dar o tempo de presente, pra você ter finalmente a certeza de que a vida, a vida é degenerativa não só pra você. A minha matou uma criança e um bocado de sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo o que vi hoje, é o seu rosto que não me deixa dormir. Um rosto cansado, chateado, medroso. Um rosto sem mentira, sem preço, sem batom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de tanta lama, abro os olhos e vejo a tua dor, o teu esforço, a tua coragem. E, por um segundo, chego a alcançar a alegria por estar entre humanos, por gostar de você, por amar as histórias e achar que sou nobre a ponto de consertar o mundo. Pena amanhã esquecer minha megalomania, e voltar a seguir corcunda por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-1737824529889143497?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/1737824529889143497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=1737824529889143497&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1737824529889143497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1737824529889143497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2009/01/amnsia.html' title='Esclerose'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-5110460889144993208</id><published>2009-01-02T00:08:00.002-03:00</published><updated>2009-01-02T00:41:15.081-03:00</updated><title type='text'>Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?</title><content type='html'>Ajoelhada na beira do mar, podia sentir os meus pés suarem e tremerem. Meus olhos não viam nada, como que cansados de um tempo em que ficaram atentos e inchados demais. Eram os olhos devotados de todas as viradas de ano, um par de olhos alagados, comovidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração nem batia, acho. Só podia sentir o gosto de sal na boca, e os pés molhados de sal, e o cheiro das rosas brancas que eu segurava com tanta fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei, olhei o céu, barulho e beleza, ofereci as flores, tudo encharcava agora, inclusive as roupas, as promessas, a esperança, o desejo, a vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos secaram a tempo de ver que o mar me devolvia, gentilmente, as flores que acabara de entregar. A onda trouxe as rosas de volta, minutos depois, ou séculos depois, ou vidas depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que outras vezes o mar as tenha devolvido, ou as recusado, quem sabe? Mas não pude reparar, ou nem merecesse as flores, ou nem precisasse delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ontem as rosas voltaram. E tive certeza de que eram as minhas, e de que eram pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu nunca mais as perca de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim seja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-5110460889144993208?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/5110460889144993208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=5110460889144993208&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/5110460889144993208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/5110460889144993208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2009/01/como-pode-um-peixe-vivo-viver-fora-da.html' title='Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-7621195886372008443</id><published>2008-05-14T22:01:00.004-03:00</published><updated>2008-05-14T22:51:04.083-03:00</updated><title type='text'>Sampaulo</title><content type='html'>Sabe, eu não gosto. Sampaulo é coisa muito grande pra quem se sente pequena como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que quando era mais pequena ainda, ia pra Sampaulo pra comer no MacDonald´s. Comia aquele "x-salada", que vinha com a parte quente separada da fria. E depois o pai levava a gente na Paulista e sentenciava: "Essa é a avenida mais importante do Brasil-sil!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu coração é provinciano. E não vejo beleza nessa cidade que pra mim, de fato, nunca foi bela. Eu só tinha a fome e a gula de uma criança gordinha no final dos 80, e Sampaulo perdeu o tempero quando a meca do fast food chegou em Jundiaí. Sampaulo é entupida demais pra alguém ansiosa como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sampaulo é de um exagero inútil. Um erro de logística. Eu tenho preguiça de Sampaulo, uma cidade que não me dá motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei nessa de amaldiçoar a Capital porque me sinto pressionada. Ando a procura de uma casa, e meia dúzia de paulistanóides deram pra me apurrunhar. Coisa chata, isso. "Ai, não acredito que você vai comprar um apartamento no Rudge Ramos! Vem pra São Paulo, meu! Sua vida vai mudar, é outro mundo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alienígenas, por favor, me esqueçam. Paulistanos, engulam Sampaulo, sejam gorfados por Sampaulo, ruminados por Sampaulo. Divirtam-se nos bares blasés da Vila Madalena, nas livrarias chiques dos Jardins, nas padarias 24 horas, nas baladas que custam 5474 reais. Gozem ao passear na Oscar Freire, babando nas vitrines, e depois torrem o salário na José Paulino. Adorem o metrô, o Parque do Ibirapuera. E não me encham o saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sampaulo é um mal necessário. O pior é que preciso de Sampaulo, não nego. Pensando na minha carreira um tanto capenga de jornalista, seria bom arrumar um emprego por lá. Aprender como é que se sobrevive no limbo, como se distrair no trânsito, como ser mais sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enquanto puder, ainda quero voltar pra casa. Não tem nada errado nisso. Não é um erro andar por onde se gosta. Enquanto ainda se pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo direito de permanecer onde estou; pelo direito de ser caipira, atrasada; pelo direito de ser a a Illenia, "do contra"; pelo direito de ir a Sampaulo sem compromisso, visitar pessoas amadas; pelo direito de simplesmente achar Sampaulo uma bosta (apesar dos sambas, dos botecos, e dos restaurantes naturebas); e pelo direito de mudar de idéia, por favor, me economizem. E, em breve, venham me visitar no Rudge Ramos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-7621195886372008443?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/7621195886372008443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=7621195886372008443&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7621195886372008443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7621195886372008443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2008/05/sampaulo.html' title='Sampaulo'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-7952112538431315194</id><published>2007-11-20T15:49:00.001-03:00</published><updated>2007-11-20T16:14:24.440-03:00</updated><title type='text'>Voltei a cantar...</title><content type='html'>Depois de doses homeopáticas de atenção; depois de trocas de carinho esmigalhadas; depois de ouvir aquele samba triste da Dona Ivone Lara - e de gritar o samba, e de chorar o samba; depois de comer 18 sonhos de valsa e ver que a amargura, tem dias, é troço sem conserto; depois de entupir o ouvido de Iemanjá com prece; depois de 73 quase-melhoras, seguidas por 73 super-recaídas; depois de desgrudar da minha cabeça a foto que a gente nunca tirou; depois de ficar muda...chega. Haveria de recuperar o rebolado. Desfigurado é sujeito que não tem fé. E fé me sobra, que até distribuo ou troco por juízo do bom. As palavras estão voltando. As palavras, se não me foram fiéis, leais não deixaram de ser. As palavras estão voltando. E eu também. Porque um moço de palavra um dia disse que o silêncio precede o esporro. Ninguém me segura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-7952112538431315194?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/7952112538431315194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=7952112538431315194&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7952112538431315194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7952112538431315194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/11/voltei-cantar.html' title='Voltei a cantar...'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-9141598278687597516</id><published>2007-10-23T20:40:00.000-03:00</published><updated>2007-10-23T20:54:04.017-03:00</updated><title type='text'>Foram</title><content type='html'>As palavvras fugiram de mim. Pago caro, agora, por tê-las maltratado. Por acreditar que talvez estivessem dormindo, como eu estava. Mas as palavras não dormem. Me distraí, cansada, e elas correram. Só saem se as bem ensaio, e por isso nem de longe parecem minhas. Tento as pazes, mas o sono bate, elas são velozes, não as enxergo. É solitário sem elas. O mundo parou há dois meses, isso elas me mostram. As palavras foram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-9141598278687597516?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/9141598278687597516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=9141598278687597516&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/9141598278687597516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/9141598278687597516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/10/foram.html' title='Foram'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-784085986601762003</id><published>2007-08-23T21:15:00.000-03:00</published><updated>2007-11-20T15:48:37.476-03:00</updated><title type='text'>Bolero</title><content type='html'>Eu queria que você soubesse que minha cor preferida é azul. Quer dizer, quase sempre é azul. Mas às vezes é amarelo. Quando eu tinha uns 3 anos, o jornalzinho da firma em que meu pai trabalhava me entrevistou. Essas coisas que o RH inventa pra agradar funcionário. Publicaram a minha foto e a de outras 456 crianças. Perguntaram minha cor predileta e eu disse "azul e amarelo". No quesito "cantora", respondi "Fafá de Belém". Mas nunca gostei dela, assim, de verdade. E tampouco consigo me desfazer dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do fundo do meu coração eu gosto mesmo é do Paulinho da Viola. E do Raul Seixas. E de mais mil pessoas; muitas eu nem apertei a mão, mas não faz mal, porque o amor nem sempre precisa de formalidades do tipo "oi, muito prazer, meu nome é...". Eu amo sem olhar. Às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que você soubesse que eu gosto muito de flores. Mas, de verdade, não sei cuidar delas. Tenho medo que morram de sede, ou de frio, ou afogadas, ou de ensolação. Não conheço a medida das coisas. Da terra. Do mundo, do tempo. E ainda assim as amo, eu posso amar o que desconheço, o mistério, as flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia me disseram que amar desse jeito é banalizar o amor. Mentira. Faz pouco do amor quem vive com régua, quem sonega o riso, quem não mata a bola no peito, quem desvia, quem se defende de ninharia, quem anda em linha reta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom você saber disso, porque isso sou eu. Eu exagero. Engasgo, até. Na maioria das vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que você soubesse. Antes de te dizer tchau. Porque há de ter alguém me esperando, só pra dizer me "eu também", no lugar de "eu talvez". E você, logo logo, vai ser que nem a Fafá de Belém. Uma licença poética de alguém que pode amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quizás, quizás, quizás..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-784085986601762003?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/784085986601762003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=784085986601762003&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/784085986601762003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/784085986601762003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/08/bolero.html' title='Bolero'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-7285650979087119688</id><published>2007-08-13T12:17:00.000-03:00</published><updated>2007-08-13T12:43:24.244-03:00</updated><title type='text'>Atrás da porta</title><content type='html'>"Quero sofrer tudo até a última gota, quero tudo a que tenho direito – as coisas boas e ruins – e não pretendo deixar nada pra ninguém" - Elis Regina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ele) - Não quero compromisso.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Ela) - Eu quero. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Não, você não tá entendendo...não quero compromisso sério. Relacionamento sério, quero dizer.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Pra mim todo relacionamento é sério.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Quantos relacionamentos sérios você já teve?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Todos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Todos. Todos os meus relacionamentos são sérios. As pessoas são prioridade. Sério não quer dizer 'chato', 'obrigatório'. O verbo não é "ter" que fazer isso ou aquilo. É "querer". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Você já namorou?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Não. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Eu já namorei muitas vezes. Isso é relacionamento sério.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Ah...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Por isso te digo: não dá pra se jogar de cabeça sempre. Não dá pra saber o dia de amanhã.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Claro que não dá. Nem quero saber o dia de amanhã. Se não, amanhã vira hoje. E "um" hoje já me dá uma trabalheira danada. Imagina "dois" hojes...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Escuta, tenho experiência nisso, já me machuquei muito. Quantas vezes você já quebrou a cara, se jogando de cabeça?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Perdi as contas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Então... São escolhas. Prefiro não quebrar a minha cara.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Sei...Vem cá, quantas vezes você já voou?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Enfiei a cara no asfalto em um milhão de ocasiões. Mas, em duas ou três, minhas asas funcionaram. E eu voei. Pense numa coisa boa demais. Então, é voar. Você já voou ou não?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Você não sabe o que é relacionamento sério.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Ainda bem. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-7285650979087119688?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/7285650979087119688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=7285650979087119688&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7285650979087119688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7285650979087119688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/08/atrs-da-porta.html' title='Atrás da porta'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-6753732208581714564</id><published>2007-08-01T19:21:00.000-03:00</published><updated>2007-08-06T12:43:53.658-03:00</updated><title type='text'>Meu mundo é hoje</title><content type='html'>Hoje, e só hoje, tenho bênção de ver inteiro, não em cacos. Me é dada a permissão de ser essência, mesmo que minha essência não tenha forma; mesmo que "essência" seja o estado mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;abstrato&lt;/span&gt; do mundo, papo de doido, palavra que diz sem falar de quê. Mas as adormecidas dentro de mim sabem. Elas levantam e não sabem para onde ir. Se fossem só instinto, se não existissem, se não fossem contaminadas por uma euforia descabida, elas reclamariam por coisas idiotas. Mas hoje elas brincam de roda, se entrelaçam. Dão risada e sonham, sonham, sonham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia do aniversário é assim. A gente se reparte para ser, enfim, uma só. A menina que um dia engoliu o choro na porta da escola, no primeiro dia de aula, pode chorar. Mas o choro não chega a vingar, porque tem outra garota, um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;tiquinho&lt;/span&gt; mais velha, que faz a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;caçula&lt;/span&gt; dar risada. Ela não sabia nada de piada, mas hoje, só hoje, consegue aprender com a adolescente, uma meio &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;esquisofrênica&lt;/span&gt;. Tem carisma, a mocinha, mas queria ser bonita e não era. Um dia foi embora de casa e teve muita saudades. Andou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;muitão&lt;/span&gt;. Até conhecer uma moça que tinha mil famílias. E essa moça apresentou à jovem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;medrosa&lt;/span&gt;, e à menina que só tinha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;sizo&lt;/span&gt;, e à &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;caçula&lt;/span&gt; que já dançava sem parar toda aquela &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;parentada&lt;/span&gt;. Pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De longe, meio acanhada, uma mulher se aproxima da roda. Conta que se mantém num estado de dor. Explicou que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;doía&lt;/span&gt; porque lhe faltava uma perna. A &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;menorzinha&lt;/span&gt; deu abraço, chorosa. A que tinha permissão de rir, calou e ficou feia. Foi a adolescente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;emburrada&lt;/span&gt; a única a perceber - porque a moça das não-sei-quantas-famílias não parava de se olhar no espelho, insegura. À mulher não faltava nada. Duas pernas, dois braços e um coração saindo pela boca, diagnosticou. Era só amor que sobrava. Podia rodar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, porque é meu aniversário, o mundo é meu. Porque meu mundo é hoje. E ninguém dorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã que descansem, que adormeçam. Não me importa. Porque hoje, e só hoje, posso ver que o acaso não existe. Que os passos fui eu quem deu, ou elas, ainda que distraída, contrariada, torta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu meço a estrada, olho pro céu e agradeço tanto. Tudo por causa dessa tal de "essência", que arrisco dizer ter cheiro de pimenta, rosa e bambu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-6753732208581714564?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/6753732208581714564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=6753732208581714564&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6753732208581714564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6753732208581714564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/07/meu-mundo-hoje.html' title='Meu mundo é hoje'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-3241119934901706153</id><published>2007-07-29T20:27:00.000-03:00</published><updated>2007-07-29T20:28:49.321-03:00</updated><title type='text'>Vinte e sete</title><content type='html'>água e mato. azul e verde. fé e conhecimento. carne fraca, santo forte. em fuga, na busca. há de ser intenso, ou não vale. minha tranquilidade é surda. tem dia em que reconheço paz; às vezes ela fica, às vezes me escapa. não faz mal, não. porque gosto assim. não fosse assim, não sentiria doce nem amargo. não fosse isso que transborda, que não cabe em mim, que é graça e desgraça, a vida ia ser seca. antes a lágrima, que molha tudo e deixa florir o chão. assim seja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-3241119934901706153?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/3241119934901706153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=3241119934901706153&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/3241119934901706153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/3241119934901706153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/07/vinte-e-sete.html' title='Vinte e sete'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-722999941408180726</id><published>2007-07-26T12:24:00.000-03:00</published><updated>2007-09-03T22:34:08.585-03:00</updated><title type='text'>Eu tenho olhos gigantes</title><content type='html'>É que esses dias ando conhecendo umas coisas. Nem todas aprendo, porque é difícil de entrar na cabeça. São úteis, admito. Minha teimosia, '&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;braba&lt;/span&gt;', se enrola no meu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;jeitão&lt;/span&gt; um tanto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;sedimentado&lt;/span&gt; de ser. E eu reluto, pra resistir um pouco mais, pra não me entregar ao que sou e não gosto. Mas acabei caindo no poço da vaidade, esse sim, não tem fundo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me equilibro na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;cordinha&lt;/span&gt;, pra queda ser mais lenta. Sei lá, vai que o poço tem fundo, vai que eu consiga subir, vai que eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, lá no poço, conhecei um cara. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Maquiador&lt;/span&gt;. Ele tinha uma sacola cheia de pincéis e cores e cosméticos, espalhados na bancada de um espelho &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;enoooorme&lt;/span&gt;. Ninguém me obrigou, não. Fui até ele porque quis. Para pedir "dicas" de como (a) parecer mais bonita. "Só com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;maquiagem&lt;/span&gt;, meu amor."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube que preciso de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;corretivo&lt;/span&gt; pra esconder as olheiras. E de uma base para tirar o excesso de brilho do rosto, e dar à &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;cutis&lt;/span&gt; uma aparência mais uniforme. Sombra para as pálpebras - "nossa, você tem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;manchinhas&lt;/span&gt; brancas em cima dos olhos!" (expliquei que tinha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;vitiligo&lt;/span&gt;). "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Rímel&lt;/span&gt; é e-s-s-e-n-c-i-a-l", ordenou o mago dos pozinhos. "Mas nunca consegui passar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;rímel&lt;/span&gt;, moço", confessei. "O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;queeeeeeeeee&lt;/span&gt;? Que tipo de mulher é você que não sabe passar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;rímel&lt;/span&gt;?!!?!?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vontade de chorar. Não, eu não sei passar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;rímel&lt;/span&gt;, mas faço tudo o que o senhor mandar para aprender a usá-lo e reparar esse terrível desleixo e me tornar um tipo de mulher que sabe passar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;rímel&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;blá&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;blá&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;blá&lt;/span&gt;... Quase de joelhos, me lembrei que o correto a dizer seria "vai para a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;puta&lt;/span&gt; que te pariu". Mas a frase parou no "vai".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emudeci. Porque tenho &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;olheira&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;vitiligo&lt;/span&gt;, cílios desajeitados, algumas espinhas chatas, e não sei como arrumar isso. Adianta protestar? Adianta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de listar as minhas imperfeições faciais, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;maquiador&lt;/span&gt; permitiu-se a generosidade tardia (era melhor que falhasse...). Elogiou os meus olhos, quase que em segredo, falando bem baixinho. Em seguida, lógico (é, o poço não tem fundo), me deu outra "diquinha". "Cuidado, viu? Você tem olhos muito grandes. Não exagere na produção, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;ok&lt;/span&gt;?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá fui eu. Eu e meus olhos grandes, que não cabem na cara. Eu e os meus olhos gigantes, desproporcionais à minha pouca coordenação motora e intelectual para manusear o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;rímel&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas olha, senhor &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Maquiador&lt;/span&gt;, tenho outras habilidades desejáveis. Guardo meu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;punhadinho&lt;/span&gt; de encanto. Eu sou do tipo de mulher que ama, chora, perde noites de sono, dá gargalhada, espera o telefone tocar, canta no chuveiro, toca trompete imaginário e quer um dia ser madrinha da bateria da Estação Primeira de Mangueira, ter filhas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;gêmeas&lt;/span&gt; (Joana e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Inaê&lt;/span&gt;), &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;adotar&lt;/span&gt; um menino e morar na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que o senhor mereça, mas te conto um dos meus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;segredinhos&lt;/span&gt; de beleza. Daqui a uma semana completo 27 anos. Sem rugas nem marcas de expressão. Gastei alguns trocados com cosméticos, é verdade. Mas os anos que passei com a cara na lama haveriam de me transformar. Além de manter minha pele como um pêssego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lama, senhor &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Maquiador&lt;/span&gt;, a lama...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-722999941408180726?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/722999941408180726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=722999941408180726&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/722999941408180726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/722999941408180726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/07/eu-tenho-olhos-gigantes.html' title='Eu tenho olhos gigantes'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-662774533719971189</id><published>2007-07-15T21:02:00.001-03:00</published><updated>2007-07-15T21:11:24.371-03:00</updated><title type='text'>Simprão 4 - A Santa e o Rômi Titi</title><content type='html'>Teresinha é a mulher que dá um trato lá em casa por R$ 55. Fala depressa e enrolado. Tem de ser bem generoso para dizer que ela mede 1,5o m. Demorou umas nove semanas até eu entender que ela cresceu no interior do Piauí, em Elesbão Veloso. Ou é Vasconcelos? Tem 33 anos; parece mais. Deve ser coisa lá do bairro dela: os vizinhos também não aparentam a idade que tem. Lá na Vila São Pedro, o tempo não faz graça nem desgraça; ninguém engana ele. Botox? Será que não é aquele troço de matar barata? Sei lá. A Teresinha também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que Terezinha e eu nos aproximamos ultimamente. Coisa de mulher, que se solidariza quando o assunto é doméstico ou amoroso. No nosso caso, as duas coisas. A gente ama máquina de lavar roupa. E queremos uma, ou melhor, duas, uma pra mim, uma pra ela. Toda quarta-feira, acordo e escuto as panelas mexendo. Aí começa um ritual que se finge coindicência. Abro o jornal, leio com ansiedade discarada uma notícia qualquer. "Vixe, Tê, olha a merda que esse cara fez...O médico operou o joelho errado da mina! O problema era no esquerno, e o lazarento operou o direito...". "Afe, Maria! Imaginepassarporissotadinhadela".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é só chutar pro gol. "Tê, imagina o tanto de tempo que essa mulher vai ficar presa numa cama?". "Ôxi", diz a faxineira, rindo por dentro, como quem diz "vâmo direto ao assunto, filha!". E eu driblo, e de repente, solto: "Será que ela tem máquina de lavar?". Está dada a largada. Avanço no suplemento com as ofertas das Casas Bahia. Teresinha cresce o olho, "me dê logo esse jornal". A gente senta grudada, pra conferir os preços e os novos modelos da Santa. "Pra mim tem que ser uma de 10kg. Porque deixo acumular muita roupa, num sabe? Aíébomquerálavotudodeumavez." Demora pra comprar uma de 10kg. Uma marca genérica custa uns R$ 1,5 mil. E a gente NÃO quer uma genérica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que Teresinha e eu não gostamos de parcelar em 24 vezes. Dois anos pagando pela Santa é demais. "No fim, sai até mais caro", ensina Teresinha. Ela é craque nessas coisas. Nunca faz crediário. Nunca. Junta as moedas, vai lá e "tira" na hora. Engraçado isso. Pobre não costuma "comprar" nada. Pobre vai lá na lojinha dos Klein e "tira" um sofá novo, um armário de cozinha, um DVD. Eu não compro nem tiro. Não sei economizar, desabafo. Teresinha humilha, pisoteia meu coração que clama pela Santa: "É só se organizar. Meu marido tirou uma televisão de 29' pra dar de presente pra minha mãe. Demorou porque queria da Mizubitchi. Ô marca boa. Depois, meu marido voltou lá semana passada e tirou um rômi titi."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teresinha tem home theater. E eu não tenho nem DVD. Minha vida adulta é um fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dias ela me perguntou se já estava economizando pra comprar a máquina de lavar. "Claro. Que não". Teresinha riu. Disse que também andava apertada, porque guardava dinheiro pra outra coisa. Em dezembro, ela e a filha vão visitar a família em Elesbão Venturini. Ou será Vilalobos? Desde que veio pra Sampaulo, há uns 15 anos, nunca voltou pra lá. Vão e voltam de avião, arrastando as chinelas, a saudade e o sotaque. Pagamento à vista, como Teresinha gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já imagino ela no aeroporto, chegando prática e ligeira. Ela diz que lá anda muito mudado, as primas contaram tudo por telefone. Acha que nem o rio onde se lavava roupa quando Teresinha era menina continua vivo. Lá tem modernidade. A mãe deve pirar com a televisãozona Mizubitchi. Mas não sabe o que é esse tar de rômi titi, por isso falta não sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maldita hora em que eu soube o que era a máquina de lavar. Ou a Santa vem morar comigo, ou me mudo para beira do rio, pra criar os meninos (que ainda virão) largados e livres, com a roupa cheirando a barro e a sabão de pedra. Numa Elesbão Venturini que ainda não conheça a perdição de precisar. Onde ninguém perca tempo maquinando a vida, ansioso pelo encarte de oferta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-662774533719971189?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/662774533719971189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=662774533719971189&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/662774533719971189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/662774533719971189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/07/simpro-4-santa-e-o-rmi-titi.html' title='Simprão 4 - A Santa e o Rômi Titi'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-4233981320515001901</id><published>2007-07-07T16:20:00.000-03:00</published><updated>2007-07-07T16:29:10.035-03:00</updated><title type='text'>Excesso de bagagem</title><content type='html'>Eu, que não sabia ir, aprendi. Daí, ficou impossível voltar. Consegui. Depois o desafio era manter, equilibrar, sossegar. Enlouqueci.&lt;br /&gt;Na verdade, não sei o que fazer com as malas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-4233981320515001901?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/4233981320515001901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=4233981320515001901&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4233981320515001901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4233981320515001901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/07/excesso-de-bagagem.html' title='Excesso de bagagem'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-3145098058800027434</id><published>2007-06-01T12:19:00.000-03:00</published><updated>2007-06-04T21:33:03.923-03:00</updated><title type='text'>Tô me guardando pra quando o Carnaval chegar</title><content type='html'>Diz ele que lê pensamento. Eu duvido. Acho que é mestre na arte do chute. Como dispara um palpite por segundo, às vezes acerta. E me desconsertou. Fico exposta de um tanto que nem dá pra esconder. Pelada e de peruca black power na Rodoviária do Tietê, todos me apontando, 0lha ela ali, de bunda de fora e meias listradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele acha que eu tenho "visões". Porque às vezes tenho uns sonhos. Do tipo que antecipam uma coisa que ainda vai acontecer. Geralmente, é meu avô Ille quem me conta. Mas dessa vez não foi meu avô não. Foi outra pessoa que não lembro, que sumiu quando abri o olho. Só que ele também ficou sabendo. Não por mim, porque eu não contei nada. Guardei segredo porque tinha vergonha, porque não gostei do sonho, e porque sabia que se tratava de um "daqueles".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já sei como termina essa história.&lt;br /&gt;- Ah é? Como ce ficou sabendo?&lt;br /&gt;- Eu sonhei.&lt;br /&gt;- De novo?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Tipo aqueles seus sonhos de vidente?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Eu também sei o que você sonhou.&lt;br /&gt;- Sabe nada.&lt;br /&gt;- Sei sim.&lt;br /&gt;- Sabe nada.&lt;br /&gt;- Você sonhou que o moço e a moça se beijavam no final.&lt;br /&gt;- .....&lt;br /&gt;- Alou?&lt;br /&gt;-......&lt;br /&gt;- Eu não disse que lia pensamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O choro ficou meio engasgado. O frio da rodoviária congelou o choro, acho. É: o moço e a moça se beijam no final. Assim era o sonho: o casal se beijava, enquanto eu olhava de longe, e sabia que a moça não era eu, era uma bem diferente, outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deu tempo de contar. Tranquei com cadeado antes que ele pudesse, de novo, bisbilhotar. O fato é que converso com os meus sonhos, e às vezes eles me avisam de um sofrimento desnecessário, um sofrimento repetido. Mas não me livram de um péssimo hábito, cultuado desde a infância, guardado com o zelo e teimosia das coisas de estimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sabe. Mas eu leio livro de trás para frente. O mesmo livro. No máximo, um parecido. Começo pelo final. Os meus sonhos não me livram de mim. À frente, uma prateleira enorme, com cor e novidade. Mas eu não aguento o cheiro do novo, das páginas brancas, lisinhas. Sempre acabo com as páginas daquele exemplar empoeirado na mão, espirrando o enredo amarelado e decorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sabe. Mas a minha vidência é um livro esquecido atrás da prateleira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-3145098058800027434?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/3145098058800027434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=3145098058800027434&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/3145098058800027434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/3145098058800027434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/06/t-me-guardando-pra-quando-o-carnaval.html' title='Tô me guardando pra quando o Carnaval chegar'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-4326086469858916442</id><published>2007-05-23T22:56:00.000-03:00</published><updated>2007-05-23T23:21:00.164-03:00</updated><title type='text'>Doce de abóbora</title><content type='html'>É doce. Tem gosto de primeira vez todas as vezes que olho pra ele, aquele gosto que pulsa na barriga. Gosto de delícia, de vontade de jogar os relógios fora. Todos os relógios, os ponteiros, os minutos, os despertadores. Só pra que a gente possa existir um pouco mais, assim, perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparo nas mãos inquietas, e quase seguro entre as minhas. Quase. Não dá. Percebo que o palmo de distância mede uns dois metros. Nem os dedos se encostariam. É o palmo do gigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me distraio com o barulho da chuva. Vejo ele de novo, correndo, que nem menino. Balbucia alguma coisa que não entendo, porque os passos são mais e outros, a voz vai dele ficando miúda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cúmulo do sonho acumulado de querer ir e de querê-lo e muito, escuto ele dizer "vem junto". Escuto? Suponho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo perguntar se posso. Nem o grito alcançaria não longe. O amor talvez chegue antes, mas do amor eu não solto. E então ficamos estagnados, eu e o amor. Enquanto ele brinca e dança na chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-4326086469858916442?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/4326086469858916442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=4326086469858916442&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4326086469858916442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4326086469858916442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/05/doce-de-abbora.html' title='Doce de abóbora'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-4128963597250211466</id><published>2007-05-20T19:21:00.000-03:00</published><updated>2007-05-20T20:26:06.904-03:00</updated><title type='text'>Homem-gol</title><content type='html'>Ia ser um domingo qualquer. Do merecido descanso. Esticada no colchão, eu cochilva de um olho, depois do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca o telefone, mas o barulho nem me mexe. "Lê, deve ser pra você. É 092". O identificador de chamadas antecipa uma dor de barriga eufórica, a mesma que se repete há um ano todas as vezes que ele manda notícia de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Me conta como anda a vida aí no exterior...". Piada interna, a gente sempre ri. Manaus não é longe, é lonjão. Acho que precisa de passaporte pra entrar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele começa a contar de um mundo imaginário pra mim. De floresta, muita calor, da chuva de todos os dias, que não é o chuvisco chato da minha tv. É água que cai com força e vai limpando, enxarcando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele me liga é assim. Ele consegue chegar num deserto que ninguém vê. Ele sabe do sertão de mim . Rega o chão seco e aos poucos me apresenta, pela milionésima vez, o oásis que desapareceu porque não cuidei. Mas com ele eu reconheço e acredito, porque ele não tem medo e segura a minha mão. Lá a gente se senta, tem sombra, e bebe uma cerveja gelada. Não, não é miragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem sede, posso rir e amá-lo. Posso amá-lo sem culpa e amar muito, amar outras pessoas, e não amar o amor. A água que ele traz é benta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Volto em julho. Viu, vai acabar o cartão...". Pelo amor de Deus, me liga a cobrar. Alou? Para aceitá-la continue na linha após a identificação. Eu aceito, eu aceito, vai logo! Pronto. Tô bem contente. Já imagino a gente ouvindo Robertão e se acabando nas curvas da estrada de Santos, viagem querida e necessária, parte de um ritual que é muito nosso, o nosso encontro, que é que nem banho de alfazema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei. Ele sabe. É um dos homens da minha vida. Que delícia saber e gostar. É leve, que nem o movimento da canoa - eu imagino que lá ele anda de canoa às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ô Lenia, tô aprendendo a dançar, acredita? E não fumo há 8 dias". Me divirto. A gente vai dançar, finalmente. A dança, a canoa, a estrada de Santos, não vejo a hora de ter um dia tão feliz.&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, conto pra ele, tá tudo bem. A saudade é grandona. Não tenho mais crises de auto-estima, só de identidade. "Aê, Lenia, bem-vinda". Digo que quero ir pra Mangue Seco. "Compra a passagem. Hoje. Aproveita." Ai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica com Deus, eu te amo. "Eu também, Lenia". Você é o meu milésimo gol do Romário ( mas o Romário ainda não tinh marcado). Ele ri. Tâmo junto, digo. "Sempre. Sempre".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora depois, o Romário, finalmente, marcou o gol número 1000. De pênalti. Demorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o posto permanece: o Marcos, pra mim, é o milésimo gol do Romário. Água da minha sede. E ponto final.  O domingo acordou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-4128963597250211466?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/4128963597250211466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=4128963597250211466&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4128963597250211466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4128963597250211466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/05/homem-gol.html' title='Homem-gol'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-7988841110334812710</id><published>2007-05-13T20:02:00.000-03:00</published><updated>2007-05-16T11:20:17.693-03:00</updated><title type='text'>Apesar de você</title><content type='html'>Pareceu &lt;em&gt;Feitiço do Tempo&lt;/em&gt;. O Dia da Marmota, em que o cara acorda todos os dias no mesmo dia. O protagonista do filme mais angustiante da &lt;em&gt;Sessão da Tarde&lt;/em&gt; (um jornalista, que coisa, não?!?!?!) morria aos poucos, de ver o mundo se repetindo, se repetindo. Ele já sabia quais passos o outro daria, cada frase idiota que seria despejada pelos interlocutores, o olhar não-estou-nem-aí-pra-você da mulher que ele amava. Ainda assim, não se antecipava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por não poder surpreender-se com a vida, o sujeito também se transformava num imbecil, igual à rotina que o tempo lhe impunha. Preso à expectativa infantil, achava que, de repente, um qualquer tropeçaria e cairia no meio da rua. Efeito caótico na trama, e um simples escorregão mudaria o rumo dos dias. Aquele espírito de porco ia se acabar na risada, até deixar a sacola de compras cair. A senhora de bengala ia recolher o alface do chão, quando sem querer exibiu o bundão escondido debaixo da saia. Só queria ajudar e passou carão. Mas ninguém tropeçava, nem gargalhava, nem mostrava a calçola. Tudo cretinamente o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presa na minha história previsível, não consiguia me lembrar de como o moço se livrara da maldição de só exisitir de um jeito. Não recordava o final do filme; devo ter babado no sofá quando exibiram. Foi naquele tempo em que eu morri . Talvez o jornalista nem tenha sofrido tanto assim. Deve, inclusive, ter achado graça quando tudo terminou bem. Porque disso eu sei: tudo terminou bem. Mais por dedução do que por fé. &lt;em&gt;Sessão da Tarde&lt;/em&gt; é mela-cueca. É proibido durante o horário nobre do pós-almoço desagradar corações ansiosos por amores de mentira, por feias que ficam bonitas, por heróis que resgatam a dignidade nos últimos 30 segundos de película.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claustrofóbica, me via no labirinto daquele sujeito. "Quer mais lasanha?", me perguntaram. Um bicho peludo piscou pra mim, inaugurando os tradicionais festejos do Dia da Marmota. O final do filme, o final do filme, qual era mesmo o final do filme...Olhei do meu lado e tinha umas bocas mastigando, sincronizadas, engraçado. Engasguei com a comida que tem gosto de velha. Amarga e velha. De repente eu era menina velha de dor, que acabara de ser atropelada pelo capricho do homem que nasceu velho. Sugada pela trama, me vi de porta-bandeira moderna, carregando um pisca-pisca ordinário e pesado demais para uma mocinha, onde brilhava minha condição: "Destruidora oficial de festas de família".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém aceita um chá?, ponderou uma senhora, que chora pelo que sempre chorou. Ah, a parte dos panos quentes, reconheci. A menina finalmente acordou - a que tinha morrido - grudada à mancha de saliva na almofada. Abriu o olho a tempo de ver ontem se transformar em outro dia. Escondeu o luminoso atrás do sofá e soltou um quase-sorriso, nervoso e apavorado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutei de novo perguntarem do chá. Um chá para uma atropelada, que adequado. &lt;em&gt;Feitiço do Tempo&lt;/em&gt; deu lugar a Almodóvar. Alguém tropeçou. O absurdo se fez. Diante do qual solicitei, com modos educadamente exagerados, que ornavam com os movimentos robóticos: "Traz um de sumiço pra mim, por gentileza."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-7988841110334812710?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/7988841110334812710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=7988841110334812710&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7988841110334812710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7988841110334812710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/05/apesar-de-voc.html' title='Apesar de você'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-6228600364903699079</id><published>2007-05-02T12:39:00.000-03:00</published><updated>2007-05-02T13:13:43.325-03:00</updated><title type='text'>Simprão 3</title><content type='html'>Ontem os companheiros organizaram um festão. No meio da rua. Tudo pra homenagear a gente, a gente gente!, que trabalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para festejar o trabalhador, Zeca Pagodinho. O malandro moderno, que faz samba de primeira e nunca trabalha às segundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festerê rolava, sem as habituais bravatas. Afinal, é completamente desnecessário falar mal do governo. Que dirá protestar contra o "acúmulo exorbitante de capital", prática daqueles patrões sovinas e amigos do Bush. Não, deixa que o Higo Chavez reclama pela gente. A gente, gente! Nós, que trabalhamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente Lula anda bem cansado. Com saudade louca da família, daquele churrasquinho de gato, daquele pagode mal tocado, das crianças gritando. Nem foi à Missa do Trabalhador. Celebração criada para ele, inclusive, na época em que era perseguido político e tal...Ih, faz tempo. Tira a picanha do freezer, Marisa, que o Marinho tá chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula lá, assando uma carninha. E o trabalhador cá, se espremendo para ouvir boa música no seu dia. Viva o Zeca. Todo mundo quer ser o Zeca Pagodinho. Eu quero ser o Zeca Pagodinho. Só ele mereceu respeito ontem, no palco que antes tinha sindicalista reclamão e hoje só tem fanfarrão. Zeca é um homem de respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos pontos altos: Delúbio Soares apareceu, do nada. Ficou todo mundo esperando o Sérgio Mallandro entrar em seguida,  ou dupla Sílvio e Vesgo. Só podia ser pegadinha. Ninguém apedrejou, cuspiu ou vaiou. Era brincadeira, lóóóóóógico. Trabalhador também tem sesnso de humor inteligente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra que merece aplauso: Dona Leci Brandão. Impecável. A Luli disse que ela estava mais cheirosa - bem mais - que a Dona Marta Suplicy (aquela que veste Prada). A ministra não cheira a nada. Foi a redenção do trabalhador. Uma vingancinha. Uma pitada de vermelho no dia que amarelou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-6228600364903699079?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/6228600364903699079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=6228600364903699079&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6228600364903699079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6228600364903699079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/05/simpro-3.html' title='Simprão 3'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-4517585305618073564</id><published>2007-05-01T19:29:00.000-03:00</published><updated>2007-05-01T19:31:30.545-03:00</updated><title type='text'>As outras</title><content type='html'>Uma vez conheci uma moça tão bonita que doía olhar para ela. Tinha traços imprecisos e harmoniosos. Um nariz um tanto pontudo, mas estranhamente perfeito para o tamanho da boca volumosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis ser ela um milhão de vezes. Chegava a brincar de sê-la; imaginava a minha voz no corpo dela, minha mãe chamando aquela moça de filha, aquela moça dormindo no meu quarto e sendo o eu que eu não era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, cansei de querer ser a moça. Porque conheci outra tão bonita quanto ela. Mas dessa também enjoei rápido, porque mais belas apareceram. E rápido, nem me lembro em que momento, me perdi de mim e quis ser outras, quantas fossem, que não fossem eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, quando as imagens me vêm à cabeça, continuo vendo muita beleza naquelas moças. Não se pareciam, mas compartilhavam o fato de, além de não serem eu, serem muito elas. Elas transbordavam. Eram bonitas porque eram e estavam. Porque existiam. Porque não se escondiam nem brigavam com quem lhes apontava o defeito e a imperfeição. Livres. E por isso, belas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, consegui juntar os cacos de todos os espelhos que quebrei. Fui colando um mosaico de mim, forjando uma intimidade que tinha com a imagem das outras. Olhando de perto, tudo era disforme. Precisei sair de mim para ver o desenho: de longe, faz sentido, se realiza, é. Entendi que o vazio era saudade. Saudade de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia encontrei a moça do lábio grande. Ela estava absolutamente linda. Tinha se formado atriz. Logo vou ver teu rosto na Globo, disse. “Sabe o que é?”, explicou, “é que trabalho como palhaço.” “O queeeee?”. “Uai, qual é o problema? Sou palhaça.” Um segundo de silêncio, “Ai, me ensina?”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-4517585305618073564?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/4517585305618073564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=4517585305618073564&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4517585305618073564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4517585305618073564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/05/as-outras.html' title='As outras'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-4899390870278255207</id><published>2007-04-20T19:30:00.000-03:00</published><updated>2007-05-16T11:32:37.585-03:00</updated><title type='text'>Chuveirinho</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;– Respeitável público! Com vocês o incrível, o audacioso, o inigualável Príncipe dos Ares!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;E todas as luzes sob a lona, de repente, se apagavam. Um único farolete de luz se acendia, virado lá para cima. A platéia, muda, esperava o artista de roupa brilhante atravessar a corda-bamba.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Sustentado por olhares imóveis de uma apreensão quase ingênua - ou quase fingida, já que no fundo sabia-se que o homem-pássaro chegaria do outro lado -, o equilibrista caminhava pelo arame, ao mesmo tempo em que manipulava bastões e bolinhas coloridas. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Estava a poucos minutos da glória, mas não podia precisar: o relógio havia congelado, que nem a força da gravidade. Aproveitava a pane no tempo para andar a seis metros de altura e alcançar a plataforma, o enxame de aplausos. Ao firmar os dois pés e baixar os braços, lembrava-se pela enésima vez de que não tinha asas.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Era viciado em frio na barriga. Vinte e cinco anos de circo e ainda cultivava a modesta ansiedade, o sorriso rasgado de quem tinha certeza: era um dos poucos. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Quando desceu da corda, o Príncipe dos Ares correu para o camarim. Veterano, rápido cobriu o rosto com Minâncora, pintou a parte de cima das bochechas de vermelho, vestiu peruca, nariz, roupa larga, sapato engraçado. Eis o Palhaço Chuveirinho. Da coxia, fumava tranqüilamente seu cigarro antes de ser anunciado. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Nem o Príncipe dos Ares, nem o Chuveirinho, nem o respeitável - e escasso - público sabiam. Mas aquela era a última vez que Francisco de Oliveira Macedo se exibia no picadeiro. O circo, falido, não dava pão para mais ninguém. O dono baixou a lona no Parque João Ramalho. E nunca mais a ergueu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;– Carissíssimas e dignissíssimas famílias! Olha que eu tô chegando! Aceito jornal, plástico, ferro, papelão. Se não tiver reciclável, não tem problema. Pode jogar tua televisão que eu pego mesmo assim. Mas só se for a cores. E com controle remoto. Pego de tudo, menos a sua sogra. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Príncipe dos Ares e Chuveirinho haveriam de ser maiores que o picadeiro. Quando perdeu o emprego no circo, Macedo não sabia fazer outra coisa que não palhaçada e equilibrismo. Tinha 40 anos, esposa e quatro filhos. Desde os 15, quando fugiu de casa com a trupe do Circo Continental, não sabia o que era ter endereço fixo. Abandonou essas e outras formalidades - os estudos, por exemplo - em Santa Cruz do Inharé, Rio Grande do Norte. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Faz quatro anos que, ajudado por amigos, montou barraco num terreno vazio atrás de um de ferro-velho, inaugurando a favela da rua Sorocaba, periferia de Santo André. Conseguiu um carrinho emprestado. De cara limpa, saiu para puxar carroça, pegar recicláveis e todo o tipo de quinquilharia que se acumula no fundo dos quintais do bairro chique. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O sol queimava, arredio; nada ali tinha sido feito só para ele. Bem diferente viver na estrada que da rua. Morto de vergonha, assumiu palco onde trabalhar sozinho não era sucesso, não era prestígio. Era solitário. Custoso demais viver sem aplauso. E não viveria.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Pé ante pé, como fazia o Príncipe, Chuveirinho começou a percorrer o Parque Jaçatuba. Logo ganhou platéia.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;– Sucateeeeeeeeroooooo ! &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;As donas-de-casa saem à porta, de sacolinhas, quando ouvem o grito. As crianças riem um riso nervoso quando ele se aproxima, porque sabem o segredo. O palhaço está fantasiado de catador de sucata, vê se pode. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Heitor, 2 anos, neto da dona Lurdes Cavarzan, corre para ver o sucateiro. “Toda vez é assim. Ele adora.” O povo acha que ser palhaço é só pintar a cara, explica Chuveirinho. Mas tem que ter classe.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Sai pra lá, seu filho duma tripa!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Chuveirinho não gosta de vaia e fala duro quando um motorista apela para o desrespeito, assusta com buzina, diz palavrão para quem puxa carroça. A avenida dos Estados está cheia de gente assim, à toa. "Não tenho do que me envergonhar. Faço um trabalho honesto, sustento minhas crianças. Outro dia fui atropelado. Graças a Deus, não me machuquei." &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A reclamação não dura nem 15 segundos. Primeiro porque ele é homem de palavra desembestada. E porque o sorriso foi tatuado no rosto, um pouco judiado pelo esforço e pela vida nômade. "Sou feio. Mas estou na moda." &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;–Sucateeeeeeeeroooooo!&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Recebe um punhado de jornal, um tanto de garrafas pet. Abençoa as ruas, as doações. Jura que, de todas as vias, aquela é a sua preferida, a que concentra as famílias mais generosas da vizinhança. Grita, grita, grita. E canta, como canta. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Quando era criança, Chuveirinho sem querer engoliu um radinho de pilha. Deu no que deu. Guiando a carroça, inventou outros personagens. Zeca Sucatinho é primo do sambista Zeca Pagodinho, e faz paródia com as músicas do parente. "Você sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar. Só sei o que é sucata velha. Que eu já vi, já conheço e costumo pegar." &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;– Aaaaauu! &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;É com o bordão do forrozeiro Frank Aguiar que encerra todas as músicas. É a deixa para a próxima. A mais pedida pelo público - é, as pessoas pedem - vem do estilo sertanejo. Bruno e Marrone, na Cadeia. "Amor, tô te ligando aqui do cadeião. Já teve fuga e rebelião...Aaaaauu." &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O carrinho vai enchendo. Em data boa, consegue R$ 30 por viagem, umas quatro horas de trabalho. Em dia sensacional, recolhe muito alumínio e passa dos R$ 40. Naquela quinta-feira precisava ganhar exatos R$ 32. Um dos filhos tinha excursão da escola no dia seguinte. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Do estudo pros meninos ele faz questão. Absoluta. Luana, 16, Letícia, 13, Luan,11, Larissa, 8, João Lucas, 4: os cinco vão ter emprego bom, com computador. Nas horas livres, que façam o que quiser. Luan é o palhaço Torneirinha; Lucas, o Chuvisquinho; o caçula imita ganso, uma belezinha. O trio às vezes se apresenta em escolas, tudo arranjado por um malabarista ex-companheiro de circo, que mora em São Bernardo. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;- Olha eu aqui íí !&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O Jaçatuba é grande, rapaz. Não era possível que bem naquela quinta-feira o povo não se animaria a liberar a sucataiada. Olha para a carroça, cheia. Chuveirinho não se empolgava muito: os 200 quilos que vai empurrando de volta pro ferro-velho devem render, no máximo...Faz as contas. Uns R$ 20. Fora a cesta-básica, comemoradíssima. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Parecer mal-agradecido, jamais. Pelo amor de Deus, que ganhou muita coisa no bairro. “No meu primeiro dia, me deram uma geladeira novinha. Já ganhei até DVD. Tá pensando o que? Chuveirinho não é fraco, não. Aaaaauu.” &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;*&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;– Manda uma tubaína aí que hoje eu sou celebridade.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Chuveirinho pára num boteco amigo, faz pirueta e bebe refrigerante. Dois reais, pendura aí na minha conta. Daqui uns anos, ele quer voltar pro Nordeste. Só vai se tiver mais do que uma mão na frente e outra atrás. Vai abrir um comércio, estudou até a 4 série mas é bom em Matemática. Ninguém me passa a perna. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Imagina que, na frente do estabelecimento, vai montar um palquinho. Chuveirinho, Torneirinha e Chuvisquinho serão os astros de Santa Cruz do Inharé.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Mas só de brincadeira. Não quer pros meninos a vida que leva. Pela primeira vez em quatro horas e meia, faz uma pausa na fala. A rotina é sofrida. Mas olhe, não sou só burro de carga, não. Eu canto, me comunico. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Chegou a ganhar 10 salários mínimos por mês para andar 10 minutos sobre o arame e ficar mais 15 no picadeiro. A renda como sucateiro não chega aos R$ 700. No ferro-velho, começa a despenar a carroça. Separa, pesa, o riso está quase sumindo. Quase. “Macedo, deu R$ 20” avisa o dono. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Ele amassa as nota e enfia no bolso. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Ainda bem que passa o circo, passa o asfalto, passa o aperto. De definitivo, só o palhaço.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Chuveirinho vai ser enterrado com a roupa que mais lhe caiu bem em vida, a mortalha do riso. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;-&lt;em&gt; Será que a mulé vai brigar por causa dos R$ 32? Vocês é que são ruins demais da conta. Dormir no sofá é que é palhaçada.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-4899390870278255207?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/4899390870278255207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=4899390870278255207&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4899390870278255207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/4899390870278255207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/chuveirinho.html' title='Chuveirinho'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-2547108995713137066</id><published>2007-04-17T22:51:00.000-03:00</published><updated>2007-04-19T11:52:48.713-03:00</updated><title type='text'>Para um coração apertado</title><content type='html'>&lt;p&gt;Você deve estar agoniado demais, ocupado demais. Mas perceba: ainda seguro a tua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem se acostumou a ditar o ritmo e a harmonia, sambar aquele samba enjoado parece o fim. E é só o começo do compasso de espera. Olha o breque. Às vezes a música pára e continua tocando na cabeça. Você tenta se distrair, muda de CD, de canal, de emprego, de roupa, de vida, de namorada. A melodia chata te persegue, inferno, você descobre que o travesseiro também cantarola baixinho o sambinha porco que você não suporta. Tem que agüentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respira fundo, dorme mal, sonha errado, esquece de rezar. Cansado. Não, não lhe foi concedida a bênção de esquecer. Há de se lembrar daquele negócio que não tem nome e ocupa espaço. Daquela coisa que não se esgota em si, que se multiplica nos refrões que você não quer repetir, na nota que não quer tocar. Suas mãos resistiram bravamante, e você não sabe como foi que aprendeu a executar os acordes. Parece que nasceu sabendo. Perplexo, você anda, anda, anda, como se fosse manco, como se estivesse atrasado. Desanima quando pensa que a pressa só vai te fazer chegar mais rápido na rua sem saída de uma condição ordinária: sempre tem um filha da puta por perto. Um em cada esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sorri pra eles. Sorri pra todo mundo, teu coração é bobo e grande. Tem verdade estampada na tua cara e na tua palavra. Sem mistérios, simples de tudo. Se você não sofresse, se você não chorasse, podia ser que teus amigos até rissem de você. "Lá vai ele, aquele ingênuo", apontariam ao te ver passar. Mas eles te conhecem. Sabem que a dor te deixou um pouco irritado, esperto. A dor te deixou vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse beco onde as palavras não dizem merda alguma, a gente se reencontra. "Não sei o que eu tenho. Mas tá foda." Sem dó: talvez nunca saiba. Nem precise saber. Dá até falta de ar, eu bem sei. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gente conheceu um senhor que sofria de falta ar crônica. Lembra? Nem aparelho de oxigênio dava jeito. De cama, via um mundo reduzido a cuidados tardios e histéricos, a bonecos gigantes movidos a culpa rodeando, rodeando. Quando achava que ia morrer, quando já não sobrava nem um tico de ar nos pulmões, ele vomitava uma serenidade improvável. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fechava os olhos. Entrava na caminhonete prata. Na malinha, umas roupas, uma garrafa de uísque, ferramentas. Ia-se. Cruzava o farol da avenida Jundiaí, que parecia ser só dele àquela hora da madrugada. Fazia a curva chata, entrava na Anhangüera. Bandeirantes. Uma moda de viola no rádio velho. Uma estrada inteira pela frente, asfalto, depois terra, depois ar. Em Minas Gerais, a bronquite desaparecia por completo. Não via a hora de chegar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diante da porteira, descia da caminhonete, tirava o chapéu e limpava o suor do rosto esburacado pelos anos de barba mal feita. Abria os olhos. Os pulmões já estavam cheios de novo. Era o milagre da vida, era o remédio. Ele sabia que, mesmo deitado, indo por onde gostava de ir, podia lhe faltar sossego, dinheiro, paz, fôlego. Menos vontade e fé. Era assim que renascia e suportava. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fecha você os teus olhos. E percebe: ainda seguro a tua mão. Que nem daquela vez, quando você chorou na escola. Também não faço idéia de como renascer, sustentar, refazer-se. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gente pode ouvir a música tosca que você não gosta até o fim. No último volume. Não satisfeitos. vamos cantar a letra. Aos berros. É, nós somos maus e vamos peitar esse sambinha mequetrefe. Exaustos, a gente deita na areia. No mínimo, estaremos um pouco surdos e bastante roucos. O suficiente para uma boa noite de sono. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Sol há de brilhar mais uma vez. Prometo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com amor&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lenia &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-2547108995713137066?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/2547108995713137066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=2547108995713137066&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/2547108995713137066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/2547108995713137066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/para-um-corao-apertado.html' title='Para um coração apertado'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-5220034780052294397</id><published>2007-04-16T16:51:00.000-03:00</published><updated>2007-04-16T17:11:10.804-03:00</updated><title type='text'>Sucateeeeeeeeeroooooo</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/RiPT9Kf0DzI/AAAAAAAAAB4/cewVSdRCAsA/s1600-h/_MG_4597.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5054116254583099186" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/RiPT9Kf0DzI/AAAAAAAAAB4/cewVSdRCAsA/s320/_MG_4597.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e Chuveirinho. Eu puxando a carroça dele &lt;em&gt;(larga que isso não é coisa pra moça...). &lt;/em&gt;Ele segurando a minha bolsa (&lt;em&gt;vixe, vão achar que virei mulé...). &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Nario Barbosa tirou a foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo amor de Deus. Alguém me ensina a ser palhaço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-5220034780052294397?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/5220034780052294397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=5220034780052294397&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/5220034780052294397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/5220034780052294397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/sucateeeeeeeeeroooooo.html' title='Sucateeeeeeeeeroooooo'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/RiPT9Kf0DzI/AAAAAAAAAB4/cewVSdRCAsA/s72-c/_MG_4597.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-3242451933341343482</id><published>2007-04-14T16:29:00.000-03:00</published><updated>2007-04-14T16:47:44.633-03:00</updated><title type='text'>Amarela</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/RiEvuqf0DyI/AAAAAAAAABw/GKzJTJ7kJc0/s1600-h/flor.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/RiEvuqf0DyI/AAAAAAAAABw/GKzJTJ7kJc0/s320/flor.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5053372735614619426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dia rezou. A partir daquele dia esquisito, era uma moça que levaria consigo uma flor. Azul. Pra sempre. Tatuagem que escolheu, dentre tantas que já carregava, sem querer, nem perceber. Aposta de futuro necessário, mais simples e doce. A flor, desejo de caminho perfumado; de ser mais bela, mais única, mais presente. De ser um pouco outra, todas, quantas viessem. Seguiram ela e flor azul. Imagimária, mas tatuada; amuleto dos passos que daria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andou que nem mais sabia; vagava. Até lhe enviarem uma flor. Amarela. A tonteira se fez choro contido, que se fez oração. Era a primeira vez que ganhava uma flor. Deixou a vida entrar e se esticar um bocadinho, num dia de 72 horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-3242451933341343482?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/3242451933341343482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=3242451933341343482&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/3242451933341343482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/3242451933341343482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/amarela.html' title='Amarela'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/RiEvuqf0DyI/AAAAAAAAABw/GKzJTJ7kJc0/s72-c/flor.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-1833779920683422939</id><published>2007-04-09T23:31:00.000-03:00</published><updated>2007-04-10T19:12:16.059-03:00</updated><title type='text'>Diabetes</title><content type='html'>Lembrou de repente que nem dormiu. Há dias não dormia. Mas achava que dormia - tinha um jeito primário de se enganar. Levantava da cama, ia pro chuveiro. Lava o rosto, lava o cabelo, pega a bucha, esfrega o pé, por que ainda não aprendeu a tocar pandeiro? A vida seria muito, muito, muito melhor se tocasse pandeiro. Ou trocasse o chuveiro. Se tivesse cabelo crespo, irmãos adotivos, diabetes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, ter diabetes seria uma boa; lhe tomaria um tempo considerável. Passaria horas lendo rótulo de produto nos corredores do mercado, atravancando o trânsito de carrinhos, em alerta. Andaria de bolsa térmica com as doses diárias de insulina. Recusaria, com a elegância quase patética dos doentes crônicos, os cafezinhos, as sobremesas. À mesa, cochichos sobre sua condição lhe tirariam sorrisos de canto de boca. "Tem diabetes. Alimentação super controlada",  diriam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já podia sentir boca seca e taquicardia quando viu que as mãos estavam iguais ao maracujá esquecido na gaveta da geladeira. A rotina diabética pareceu cochilo. Foi aí que lembrou. Desligou o chuveiro. O semblante dietético foi se desfazendo. Sem reclamar, aceitou a condição sonâmbula. Só sonha quem dorme e se entrega ao sono. Logo agora que se habituava aos amargos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para Artur Rodrigues, "um homem bom, mas que conhece todo tipo de maldade"&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-1833779920683422939?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/1833779920683422939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=1833779920683422939&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1833779920683422939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1833779920683422939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/diabetes.html' title='Diabetes'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-8461418391132655918</id><published>2007-04-09T23:27:00.000-03:00</published><updated>2007-04-09T23:31:07.434-03:00</updated><title type='text'>Culpa de estimação (1)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/Rhr2naf0DxI/AAAAAAAAABo/98lBaBM6Qg8/s1600-h/adao02042007.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/Rhr2naf0DxI/AAAAAAAAABo/98lBaBM6Qg8/s400/adao02042007.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5051621089037520658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adão é meu pastor...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-8461418391132655918?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/8461418391132655918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=8461418391132655918&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/8461418391132655918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/8461418391132655918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/culpa-de-estimao-1.html' title='Culpa de estimação (1)'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_s1xyYZdfkfY/Rhr2naf0DxI/AAAAAAAAABo/98lBaBM6Qg8/s72-c/adao02042007.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-8099955065322548284</id><published>2007-04-04T18:50:00.000-03:00</published><updated>2007-04-08T19:58:23.309-03:00</updated><title type='text'>Claro que pode</title><content type='html'>Ela me olha como quem acha que não olho pra ela. Mas olho. De canto, espio. A comunicação se dá dentro de regras nunca discutidas; os limites brotaram, que nem erva daninha, do solo fértil da nossa imperfeição e exigência. No meio do jardim que não freqüentamos, não regamos e ainda negamos, tem flor às vezes - porque flor é palavra monossilábica e combina com os nossos hiatos.&lt;br /&gt;Em comum, a vontade de engolir o mundo, a saudade extrema (que nem morto de fome), e o uso da palavra como aparelho cardíaco, aquele que reanima os quase-mortos quando o coração pára. &lt;br /&gt;Num dia em que o coração dela quase parou de saudade, ela quis muito escrever. "Posso?". "Claro". Foi o que respondi da primeira vez, há dois anos. Semana passada perguntou de novo. Respondi a mesma coisa. Talvez mais convicta que naquele dia. Menos mesquinha, olhei pro jardim e vi mais de uma flor. Flo-res, portanto. Mais de uma sílaba.&lt;br /&gt;Esse é um jeito meio acanhado de registrar a resposta, caso ela pergunte de novo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O sacerdote da boa nota &lt;/strong&gt;(*)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Luciana Bugni&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Violão de compensado? Isso não existe. Esse instrumento que se vende nas lojas de música não pode ser chamado de violão. É sucata." É o que o músico e luthier José Egídio de Oliveira, morador de São Bernardo, diz enquanto cuidadosamente centraliza um mosaico que vai na boca de um violão. O preconceito com os instrumentos de corda fabricados em série é compreensível, já que todo o seu trabalho é artesanal e cada instrumento demora cerca de um mês para ser finalizado. Tudo com o devido comprometimento com a música e um cuidado especial com os detalhes e a quantidade de cola que une os materiais, para que nada prejudique a qualidade do som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cercado de violões, cavaquinhos e violas, além de um ou outro contrabaixo elétrico ou violino que deve ser consertado, seu Egídio conta que nasceu em Minas Gerais, na cidade de Cataguases. Quando era jovem mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar música clássica no curso livre de música. Depois de três anos, veio para a cidade de São Paulo, onde terminou o 2º grau e a faculdade de música. Mudou-se para São Bernardo há 22 anos. "Conheci uma mulher na faculdade e vim atrás dela", confessa. A mulher em questão é Ana Maria Romano de Oliveira, também professora de música clássica, com quem é casado até hoje e tem dois filhos, Fernando e Andrea, de 21 e 22 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da faculdade em São Paulo, cursou dendrologia, o estudo das madeiras úteis com o engenheiro acústico Eugênio Victor Folmann. "Não me adaptava bem aos instrumentos e passei a fabricar os meus próprios. Aí tomei gosto e passei a fazer instrumentos para os outros também." O luthier passa a maior parte do tempo em sua casa no bairro de Rudge Ramos. Lá, faz em média 12 violões por ano e a mesma quantidade de cavaquinhos e violas. Durante o dia, dá aulas de música clássica para alunos de 20 a 50 anos. Mas deixa bem claro: ensina música. "Quem quiser aprender a bater o violão como se faz por aí, nem passa para dentro do portão aqui de casa. Rock, por exemplo, não é música. É uma atitude, é o ópio da humanidade. Está associado a drogas e ao vandalismo, e não pode ser uma coisa boa", afirma, sem medo de ser taxado como radical. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estuda cerca de quatro horas de música por dia e ainda ouve música clássica em casa. Diz de prontidão que seu compositor predileto é o espanhol Fernando Sohr e revela que os filhos ouvem música popular, mas que é proibido dentro de sua oficina.&lt;br /&gt;A oficina são dois cômodos repletos de tampos, braços e moldes de violão, em meio às máquinas e ao pó de serra. Nas paredes, além do carpete pregado em alguns pontos, para que os instrumentos não encostem diretamente no reboque, muitos números de telefones estão anotados. "É minha agenda. Muito mais prático", explica com naturalidade. Entre as madeiras estão embuia, caxeta e tampos de pinho europeu. "Os melhores instrumentos são feitos de jacarandá da Bahia e de São Paulo. Os tampos vêm cortados e as outras partes do violão são retiradas de troncos de madeira inteiros."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo é artesanal do começo ao fim. O mosaico que vai na boca do instrumento é importado e custa até U$ 20. Nos violões de loja ele é apenas pintado. Para fazer o rastilho e o capotrato - peças de osso que ficam no começo e no fim das cordas -, o osso deve ser fervido para a retirada da gordura e depois serrado. "Fica um cheiro de dentista aqui...", diz com a mesma calma de sempre, sem alterar o tom de voz. &lt;br /&gt;O preço de um instrumento varia de R$ 1 mil a R$ 5 mil, mas ele garante que o valor não assusta os clientes. "Eles vêem as violas por aí e vêm bater à minha porta. Há também quem queira aprender a fazê-las. Em São Bernardo, há uns 15 luthieres que foram ensinados por mim." Egídio não fabrica violinos já que, segundo ele, os chineses os vendem por R$ 300 com estojo e tudo e não compensa vender um violino artesanal por menos de R$ 4 mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante esses anos em que vive em São Bernardo, Egídio fez diversos recitais nos teatros Cacilda Becker, Elis Regina e Procópio Ferreira, em programas desenvolvidos pela Prefeitura. Há algum tempo, parou com as apresentações e resolveu se dedicar à composição. Hoje, tem cerca de 140 peças, que serão editadas em partituras e colocadas à venda em lojas de música. "Se a gente faz as coisas pensando em dinheiro, não faz nada que presta", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não está trabalhando na confecção de instrumentos ou dando aulas, o músico arruma um tempinho para umas partidas de sinuca. "Jogo mais ou menos, mas mesmo que jogasse mal, te diria que jogo bem. Cento e cinqüenta porcento do pessoal que mora aqui no Rudge me conhece." Fuma desde quando não se lembra. "Mas fumo pouco e às vezes paro", diz, apagando o cigarro no chão. "Tenho um amigo de 54 anos que morreu na semana passada: não fumava nem bebia. Meu tio morreu aos 96 anos, fumou, bebeu e dormiu pouco a vida toda. Dessa poluição que está aí fora ninguém fala."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Egídio não acredita em Deus. "Acreditar é um verbo inventado pelas pessoas, e as pessoas fazem muita coisa ruim. Eu tenho fé em Deus e acho que só quem tem fé faz coisas como essas. Não estou me vangloriando, mas não é qualquer um que faz, não", afirma passando a mão no tampo do violão cortado sobre a bancada. "Não freqüento nenhuma seita religiosa, nem rezo. Eu penso em Deus." Mas pensar também é verbo, não é seu Egídio? "É, mas as pessoas fazem algumas coisas boas, ainda". É. A gente sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) &lt;em&gt;Texto publicado no dia 31/07/05. O título é por minha conta e risco...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-8099955065322548284?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/8099955065322548284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=8099955065322548284&amp;isPopup=true' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/8099955065322548284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/8099955065322548284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/claro-que-pode.html' title='Claro que pode'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-6590251996329703112</id><published>2007-04-03T17:02:00.000-03:00</published><updated>2007-04-03T23:23:53.779-03:00</updated><title type='text'>Simprão (2)</title><content type='html'>O moço andava de carro numa rua, dirigindo por um bairro de gente chique. Olha uma placa ali, outra lá. Distraído. De repente, se irrita. Não é para menos. Tem um letreiro que anuncia uma tal de &lt;em&gt;Clinic Soccer&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;"Que merda é essa?", pensou. Isso irrita. De verdade e muito. Primeiro porque gente que vai a &lt;em&gt;Clinic Soccer&lt;/em&gt; já perde ponto - que dirá o sujeito que inaugura uma escolinha de futebol e não estampa na parede o brasão de um time na ou o nome de um jogador, tipo o Romário. &lt;br /&gt;Segundo: "soccer" é termo usado só pelos EUA. Calcula: aquele bando de perna-de-pau (oh, yeah! mother fucker!) são os únicos do mundo a jogar "soccer". O mundo inteiro joga, assiste, aplaude, gosta de "futbol". Até os paquistaneses usam "futbol". A Fifa está puta. Não se conforma com a insistência dos EUA em chamar de "futbol" a prática escrota de nêgo ficar correndo atrás daquela bola oval (mais essa: a bola não é redonda). Vale botar reparo no uniforme dos caras, prova do hibridismo indecente da empreitada: calça de hipismo, (que na altura do quadril parece com a de cantor sertanejo, de couro, que divide o &lt;em&gt;púbis&lt;/em&gt; em três), capacete de esgrima e protetor bucal de lutador de boxe. A ombreira tamanho GG é o ponto alto da roupa - alto mesmo, porque chega no nível das orelhas. De burro. &lt;br /&gt;E o tonto do bairro chique ainda quer ensinar "soccer". Deve ser manco, o besta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-6590251996329703112?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/6590251996329703112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=6590251996329703112&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6590251996329703112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6590251996329703112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/simpro-2.html' title='Simprão (2)'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-6004778069693487355</id><published>2007-04-03T16:51:00.000-03:00</published><updated>2007-04-03T23:24:20.003-03:00</updated><title type='text'>Simprão (1)</title><content type='html'>Uma amiga diz que tem Deus no coração. Não sente raiva. Não quer matar ninguém. Se não gosta de uma pessoa, corta da lista e pronto. Uma fofa. Tão fofa, que coube perguntar, assim, só pra constar, se ela tinha atitudes mais "humanas".&lt;br /&gt;- Ô, na boa, ce faz cocô?&lt;br /&gt;- Lógico que faço. &lt;br /&gt;- Ce peida?&lt;br /&gt;- Peido. &lt;br /&gt;- Mas aposto que nunca na frente dos outros. &lt;br /&gt;- É...mais ou menos. Eu peido no Metrô. Vive lotado, vai...Ninguém vai saber que fui eu. &lt;br /&gt;Gente fofa solta peido anônimo. Quem não é fofo nem quer matar alguém peida alto. Aí o Metrô inteiro racha o bico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-6004778069693487355?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/6004778069693487355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=6004778069693487355&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6004778069693487355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6004778069693487355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/simpro-1.html' title='Simprão (1)'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-1276108153039477083</id><published>2007-04-03T10:16:00.000-03:00</published><updated>2007-04-03T10:28:53.570-03:00</updated><title type='text'>Só a bailarina que não tem</title><content type='html'>Ela só tem uma foto de recordação do tempo em que era bailarina. Ainda que não houvesse prova concreta de que já se equilibrou em pontas de gesso, os olhares, gestos e palavras de Marie Hélène de Raeffray Blanco evidenciam que nunca deixou de sê-la em 80 anos de vida. "É bom libertar essas lembranças." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descendente de franceses, é muito brasileira, "graças a Deus": o nome pelo qual é chamada não deixa dúvida: dona Helena, que subtrai da pronúncia o sotaque europeu original. Num sobrado de flores coloridas no bairro Nova Petrópolis, em São Bernardo, às vésperas de completar 81 anos, ela recorda uma época em que foi "absolutamente feliz". Por uma década, fez parte do corpo de baile do Teatro Municipal de São Paulo. O relato de Dona Helena sai tão sutil e emocionado quanto a arte a qual se dedicava: o ballet/balê, "é assim que se fala". Dos palcos herdou marcas. Leveza, elegância, cadência, sorriso tímido e alegria contida. Não usa mais as sapatilhas, mas somente estas caberiam hoje nos pés que sofrem por uma deformidade nos dedos, que "dobraram para dentro" depois dos anos em que se dedicou à dança. "Meus dedos não esticam como o de todo mundo. Foi de tanto forçar nos ensaios e apresentações. Mas eu nem ligo", disfarça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filha mais velha, Luíza, desmente. "Mamãe sempre reclama de dor, mas é teimosa." "Nem ligo. Gosto deles assim", insiste a bailarina, que só se tornou bailarina porque tinha outra característica típica das moças que levitam no palco. A teimosia. Aos 14 anos, pediu que a mãe a levasse ao Teatro Municipal para aprender ballet. Haydée, filha de franceses e viúva de francês, não queria de jeito nenhum, apesar de apreciar a dança. "Os franceses, tradicionais que eram naquela época, gostavam muito de ballet, claro. Mas não de ver as filhas dançando." Hélène não desistia. Haydée queria que sua primogênita seguisse outros caminhos, que tocasse piano clássico, como ela. Mas acabou por aceitar o dueto que se formava quando dedilhava o instrumento e a filha deslizava os passos imitados de outras bailarinas na sala enorme da casa em que viviam na capital. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Teatro Municipal, teve professores conceituadíssimos. Russos, que são os melhores no ballet, ensina Dona Helena. Não reclamava dos ensaios rígidos, dos pés doloridos ­ "nem me lembro se a dor incomodava, acho que nem existia dor, só vontade de sair dançando ­, nem dos gritos dos mestres bailarinos, como Nijinski e Maria Oleneva, que não davam trégua enquanto o movimento fosse executado. E tinha de ser "perfeito". "Me lembro do Nijinski dançando, nunca vou esquecer. Era de uma braveza doida, exigia demais, demais. Mas quando dava piruetas, todas nós parávamos de nos queixar. Já não importava. Ninguém girava como ele." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Helena não sabe dizer quantas vezes se apresentou no Municipal. Muitas, inúmeras, e os olhos voltam a marejar atrás dos óculos que a idade pede. Há tempos não revisita o Teatro, que agora já não lhe cede as luzes do palco. Ficar na platéia, para Dona Helena, é como sofrer no paraíso. "Aquele lugar foi minha segunda casa. Me emociono todas as vezes em que vejo qualquer apresentação de ballet." Dona Helena guardou as sapatilhas quando conheceu Pedro, o marido com que está casada há 48 anos, pai de suas quatro filhas. Na época, trabalhava como professora primária na escola fundada pela mãe, em São Paulo. Era década de 50. Também dava aulas de ballet, para meninos e meninas do colégio interno. "A gente ensaiava e depois apresentávamos espetáculos. Eu também dividia o palco com eles, para dar mais segurança e para animá-los. Mentira! É que eu não concebia a hipótese de não me apresentar também", confessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida se impôs e engoliu o ballet; casada, deixou de praticá-lo. "Até hoje não sei como desisti." Depois que as filhas cresceram, Dona Helena e o marido decidiram mudar para São Bernardo, já que Pedro trabalhava numa empresa da região. Com uma história cercada de presenças femininas ­- o pai, Edmonde, faleceu quando tinha apenas 9 anos ­- ela foi a única bailarina da família. Luíza, a filha mais velha, explica: "Acho que o dom todo da família ficou para ela. Mamãe tentou incentivar, mas a gente não leva o menor jeito para o ballet." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, Dona Helena completa 81 anos. Não veste um par de sapatilhas há 50, mas até hoje caminha como se calçasse o símbolo da delicadeza. Os pés estão sempre com os calcanhares unidos, com os dedos apontando em direções opostas. O marido brinca: "parece um relógio que marca dez para as duas". Luíza conta que é comum a mamãe caminhar "de ladinho", como os movimentos do espetáculo. Parece que os pés de Dona Helena estão sempre prontos para subir nas pontas de gesso. Bailarina é quem dança ballet? Não, explica a quase aniversariante. É bem mais do que isso. "Ser bailarina é ser apaixonada. Gostar do fundo da alma." Por isso, mesmo sem executar os passos e as piruetas de Nijinski, mesmo sem os olhares de Maria Oleneva, Hélène é dessas jovens bailarinas, que lembram um milagre pela beleza que ostentam, voam sem sair do lugar. Dona Helena ainda dança todos os dias. Em segredo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-1276108153039477083?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/1276108153039477083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=1276108153039477083&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1276108153039477083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1276108153039477083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/04/s-bailarina-que-no-tem.html' title='Só a bailarina que não tem'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-6116683157200298085</id><published>2007-03-31T18:50:00.000-03:00</published><updated>2007-03-31T23:27:40.136-03:00</updated><title type='text'>O jabazeiro</title><content type='html'>Dono de boteco que se preze é cabra sem frescura. O boteco, aliás, para ser comércio simples e verdadeira casa de boêmio, tem que ter o nome do proprietário. São, bar e dono, praticamente a mesma coisa. Nada de piadinhas, criatividade e sofisticação, senão vira &lt;em&gt;barzinho&lt;/em&gt;. No Bar do Jabá, bairro Santa Terezinha, em Santo André, é assim. Jabá é o prato da casa, o petisco de carne seca mais famoso da cidade. E Jabá é o apelido de José Carlos Rosa, 41 anos, o Carlinhos, homem sem cerimônia, lotado de simpatia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito de pouca fala e muito riso instiga a imaginação da clientela. Vai longe. Juram que ele é nordestino e que trouxe a receita cheirosa ao fugir da seca do sertão no pau-de-arara. Nada disso. A iguaria não tem sotaque de lá de cima, mas dizem que o sabor é insuperável. Já ganhou até festival de comida de botequim, com direito a troféu e foto no jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlinhos é paranaense. Comerciante, trabalhou a vida inteira no ramo de calçados e roupas. Há seis anos, ficou "numa pindaíba desgraçada", o negócio faliu, os quatro filhos pra criar, e agora? O irmão mais velho era dono de bar e vendia umas porções de jabá - nada muito elaborado -, e Carlinhos ficava dando palpite. "Coloca aí uma mandioca, uma cebola, dá uma caprichada nessa receita." O irmão não dava a mínima. Tempos depois, ele comprou o ponto comercial na rua Silva Jardim e inaugurou o boteco. Oficialmente e só para os íntimos, &lt;em&gt;Calabar - Jabá na Tábua&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Misturou mandioca, cebola, calabresa e queijo às fatias finas de carne seca, tudo feito na chapa com manteiga de garrafa. O primeiro que experimentou, gostou. E contou para o outro, que contou para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, Carlinhos é o Rei do Jabá. Vende mais que água. "No começo, três quilos de jabá dava para a semana inteira, e às vezes estragava, porque ninguém comprava. Ainda bem que hoje a situação melhorou." Precisou comprar geladeira maior pra dar conta dos frequeses. O prato fez mais sucesso que sanfona no forró e ele aumentou o bar. Construiu galpão nos fundos e alugou as paredes para anunciantes. Um boteco concorrido, com espaço publicitário. Recebe mais de três mil clientes por mês, de olho gordo no jabá na tábua, que não é servido mais em tábua de madeira. A vigilância sanitária proibiu. "Hoje em dia é tudo nessas tábuas brancas. Mas tá bom." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Bar do Jabá não tem cardápio. Tem funcionário bom de memória, que decora tudo que há para oferecer na despensa. Algumas opções são escritas na parede. "Temos joelho de porco", em letras garrafais e coloridas. Às vezes, Carlinhos nem se dá ao trabalho de chamar o moço do letreiro. Improvisa uns cartazes que ele mesmo escreve e gruda no balcão, papel já amarelado pelo tempo e pela gordura. Nem carta de comida e bebida, nem garfo e faca, nem prato. Comer jabá no Bar do Jabá é com a mão, em mesa de plástico. No máximo, um palito ou, mais recentemente, um garfinho descartável. "Não adianta pedir que não tem. Quem freqüenta meu boteco já sabe. Outro dia o prefeito veio aqui com a família e outros políticos e comeu de palito. Gente grã-fina vem aqui e vira gente simples."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlinhos é come quieto. A mulher, companheira e primeira-dama do Jabá, Solange, 40 anos, fala mais que ele. Os filhos vivem no boteco, passam o dia e parte da noite lá, circulando. "Por isso aqui é um botequim de família", conta Solange, mãe de três meninas e um garoto. Todos, depois que largaram o peito, embalaram na carne seca.&lt;br /&gt;O dono do Jabá já foi convidado para cozinhar lá nos Estados Unidos. Terra longe demais para ele, que recusou a proposta. Morreria de saudades da família, não ia dar certo. Preferiu ficar em Santo André, tomando uma gelada com os amigos, preparando o jabá na tábua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come carne seca todo dia, até o médico proibir. "Homem com mais de 40 sempre vai ter pressão alta. Melhor nem marcar consulta pra ver o que não quer". Não conta quantos quilos de jabá vende por mês, só diz que é "muito". Mais detalhes Carlinhos não conta, porque história complicada demais dá sono. E não condiz com cabra sem frescura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==============&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seu Jabá fez questão de servir a especialidade da casa. Era junho de 2005. Umas 14h. Eu tinha acabado de almoçar. O Wagner, motora do jornal que me levou na pauta, quis acompanhar a entrevista. Sentamos. Papo vai, papo vem, de repente chega aquele mundaréu de comida cheiorosa. Demais. Sobrou um monte. O Jabá fez questão de embrulhar pra viagem. Dá-lhe marmita de carne seca. Gente boa ou não o Seu Jabá?&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-6116683157200298085?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/6116683157200298085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=6116683157200298085&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6116683157200298085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/6116683157200298085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/03/o-jabazeiro.html' title='O jabazeiro'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-1398159605978599230</id><published>2007-03-31T18:37:00.000-03:00</published><updated>2007-03-31T19:09:16.493-03:00</updated><title type='text'>Ode aos anônimos</title><content type='html'>Queria apresentar aos possíveis (ou improváveis ou costumazes ou corajosos ou pacientes) leitores dessa página umas pessoas bem bacanas. Conheci fazendo a coluna &lt;em&gt;Gente do ABC&lt;/em&gt;, que sai todos os domingos no caderno de Setecidades do Diário do Grande ABC.  &lt;br /&gt;A idéia é mostrar gente interessante. Anônima para a maioria. Ovacionada pelos camaradas, vizinhos, parentes e rodinhas espalhadas por aí. São os &lt;em&gt;figuraças&lt;/em&gt;, os mais briguentos, os mais chatos, os mais legais, os inusitados, os emocionantes, os supersticiosos, os líderes, os que deram a volta por cima, os velhinhos, os prodígios, os gênios, os abandonados, os maníacos, os pioneiros.  &lt;br /&gt;Porque todo mundo tem uma boa história pra contar.&lt;br /&gt;Essa gente é recompensa. Vale por cada hora extra interminável, pelos sapos entalados, pelo choro escondido no banheiro quando o limite chega. É melhor que furo jornalístico, que manchete de domingo. É melhor até que suco de goiaba.  &lt;br /&gt;Essa gente é um lance.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-1398159605978599230?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/1398159605978599230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=1398159605978599230&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1398159605978599230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/1398159605978599230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/03/ode-aos-annimos.html' title='Ode aos anônimos'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-3863767391781077300</id><published>2007-03-31T15:58:00.000-03:00</published><updated>2007-05-13T15:46:08.385-03:00</updated><title type='text'>Globo Neves</title><content type='html'>Simplicidade é o que há. O que permanece. O mundo vai acabar e só vai sobrar o que for simples. Chega de firula. Direto ao assunto.&lt;br /&gt;Blog. Odeio essa palavra. Não conheço outra, e preciso criar um neologismo, sem pagar de Caetano Veloso. Recorri aos meus chegados e "blog" não encontrou eco ou referência na caipirada.&lt;br /&gt;- "Mãe, vem ver meu blog !?!?!"&lt;br /&gt;- "Quê?"&lt;br /&gt;- "Mãe, eu tô fazendo um blog. Vem ver.&lt;br /&gt;- "Quê?"&lt;br /&gt;- "Manhê! Vem logo"&lt;br /&gt;- "Quê?"&lt;br /&gt;Teste 2&lt;br /&gt;- "Pai, chega aqui"&lt;br /&gt;- "Quê?" (&lt;em&gt;meu pai sempre começa a conversa com uma pergunta&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;- "Pai, eu acho que vou publicar um blog"&lt;br /&gt;- "Uai, na gráfica??"&lt;br /&gt;- "Pai, é uma página na internet."&lt;br /&gt;- "Ah, bom. Sai mais barato mesmo. E esse tar de blog/flog/tog, que é isso?"&lt;br /&gt;Sou contra estrangeirismos, mas não chega a ser assim, tão radical. (SOBE BG DE RISADAS) Mentira. É radical. Xiita. Não güento mais essa realidade envernizada de sofisticação. Gente que lê rodapé de livros clássicos, resumo de lançamentos e sai opinando por aí, citando autores e bláblabla. Coisa mais besta essa gente que se ilude e se diz "antenado" - gente com "antena" é E.T ou "galhudo", corno mesmo. Pelo fim dessa porcaria toda, estou criando uma lista negra de termos que jamais serão publicados nesse espaço, a não ser hoje - por conta da divulgação necessária das palavras &lt;em&gt;non gratas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Layout&lt;br /&gt;. Post&lt;br /&gt;. Postar&lt;br /&gt;. Insight&lt;br /&gt;. Upgrade&lt;br /&gt;. Web&lt;br /&gt;. Link&lt;br /&gt;. Linkar&lt;br /&gt;. Deletar&lt;br /&gt;. Logar&lt;br /&gt;. Printar&lt;br /&gt;. Home page (&lt;em&gt;esse é foda&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por aí vai. Meu nôno Alceu chamava o canal "Globo News" de "Globo Neves". Sensacional. "Lena, põe lá na Globo Neves", pedia. Dicovery Channel? "Põe lá no coiso. Aquele do leão no pasto da África".&lt;br /&gt;Por essas e outras, "blog", definitivamente, é um termo inadequado. Não diz. É feio demais. Não tenho coragem de usá-lo. E, por favor, me convide para qualquer festa, programa, evento, rega-bofe, buteco sujo, churras, pagodão, rala-coxa, puteiro. Só não me chamem para "fritar na balada". Fala sério...que é isso, Jesus? Um monte de cozinheiras e chapeiros "fritando" na pista, tipo um festival de porções, que distribui mandioca e provolone à milanesa pra galera. Só pode ser.&lt;br /&gt;Quando alguém gritar "Toca Raul", não quero ser recriminada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-3863767391781077300?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/3863767391781077300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=3863767391781077300&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/3863767391781077300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/3863767391781077300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/03/globo-neves.html' title='Globo Neves'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8794330136243037836.post-7171864745448168229</id><published>2007-03-29T22:25:00.000-03:00</published><updated>2007-03-29T22:59:58.724-03:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a gagueira</title><content type='html'>"Mmmmãe, fafafaaaalta mmmuito?" "Calma", ela ia pedir, como pede sempre. Aprendi a falar antes que a andar. Eu era completamente gaga quando pequena. Cresci e a tal gagueira se manifesta de um jeito esquisito. Aos 26, às vezes os meus pés ficam gagos. Noutras, a cabeça fica gaga. O único jeito de engrenar é assim: no tranco. Dizem que os gagos só não gaguejam quando cantam. Ou quando escrevem.    &lt;br /&gt;Uma fita cassete, gravada em 1982, comprova a "alguma" dificuldade que tinha pra falar. Entrevista concedida ao meu pai debaixo da escada, na casa da rua Cajuru:&lt;br /&gt;- "Como você se chama?", perguntava ele, com voz de trovão. &lt;br /&gt;- "Illenia" (&lt;em&gt;sem me atrapalhar em nenhuma sílaba&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;- "Muito bem Illenia. Agora diga o seu sobrenome."&lt;br /&gt;Silêncio...&lt;br /&gt;- "Vamos Illenia (&lt;em&gt;meu pai é cerimonioso, a entrevista era pra valer&lt;/em&gt;). Diga o seu sobrenome".&lt;br /&gt;- "Pepepepepepepepepei..."&lt;br /&gt;- "Não entendi, filha."&lt;br /&gt;- "Pepepepepepepepei..."&lt;br /&gt;- "Illenia, tem que se concentrar."&lt;br /&gt;- "Pepepepepepepepei..."&lt;br /&gt;- "Muito bem. Agora vamos cantar com o papai aquela música do Roberto"&lt;br /&gt;- "Papapare! Pepepense! Olha que esse dia já vem!"&lt;br /&gt;Cantei várias depois. E aprendi a dizer "Peixoto Negrin".&lt;br /&gt;Hoje escrevo aqui com a sensação de que a única resposta que posso dar é "Peixoto Negrin". No mais, dou aquela derrapada. Convicta, mas derrapada.&lt;br /&gt;Tudo por aqui é exagerado, parece não caber. Que nem estacionar Opalão na vaga de Fusca. Na tentativa de fazer caber, de fazer fluir, digo que as linhas desse espaço tem um só sentido: ficar mais perto. De quem já foi. De quem nem veio. De quem é. De quem está. De quem quer. Porque a saudade já virou verbo. Intransitivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8794330136243037836-7171864745448168229?l=guantanameras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guantanameras.blogspot.com/feeds/7171864745448168229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8794330136243037836&amp;postID=7171864745448168229&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7171864745448168229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8794330136243037836/posts/default/7171864745448168229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guantanameras.blogspot.com/2007/03/ensaio-sobre-gagueira.html' title='Ensaio sobre a gagueira'/><author><name>Illenia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04724293496860281796</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s1xyYZdfkfY/SjQ16_848CI/AAAAAAAAAD4/bufwQUsO9gI/S220/Encontro+G5+020.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
